domingo, 29 de junho de 2008

Boletim Informativo ACOTEF - Abril a Junho de 2008

EDITORIAL

Caro(a) associado(a),

Estamos chegando ao fim de nossa gestão. Está na hora de pensarmos na transição. Se você deseja colaborar mais de perto com a ACOTEF, entre em contato conosco. Há muito a ser feito!

ASSOCIADOS

Sejam muito bem-vindos!

Novos associados ingressaram – ou reingressaram – na ACOTEF no último trimestre:

Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira (GO)

Elenise Roldan Melgarejo Damasceno (MS)

Francisco Raimundo Alves da Silva (DF)

Júlia Bucher-Maluschke (DF)


CONVOCATÓRIA

Reunião com associados para preparação da transição da Diretoria Executiva.

Data: 05/07/08 Hora: 10h

Local: a confirmar


ACONTECEU

Salvador Minuchin (Salvador, 11 e 12/04)

Por Mariana Juras - Depois de uma introdução à história da Terapia Familiar Sistêmica, Minuchin nos mostrou seu trabalho atual, publicado em seu mais recente livro (Assessing Families and Couples: from Symptom to System), no qual ele realiza dois atendimentos (manhã e tarde) como consultor externo a famílias em processo de terapia. Ao longo de 6 anos, Minuchin começou a sistematizar esse trabalho, o qual chamou de "Quatro Passos". Nos dois dias de evento, Minuchin nos apresentou em vídeo três famílias de diferentes culturas (brasileira, mexicana e inglesa).

Júlia Bucher-Maluschke (Brasília, 25 e 26/04)

Por Flávio Lôbo Guimarães - Nosso evento com a Júlia foi um sucesso. Na palestra “Estrutura e dinâmica das famílias brasileiras: desafios para a Terapia Familiar”, tivemos até que trocar de sala em vista do número de pessoas que compareceram. No minicurso “O trabalho com violência doméstica: o modelo do Ceará”, tivemos 41 inscritos, entre estudantes da UCB e UNIP, terapeutas de família, outros profissionais e associados de Brasília, Goiânia e Anápolis. O retorno dos participantes foi muito bom, e a parceria entre a ACOTEF e a UCB, muito bem-sucedida.

Veja as fotos do evento no blog da ACOTEF http://acotef.blogspot.com/


Carlos Sluzki, São Paulo, 25 e 26/04

Por Sueli de Castro Amorim - “Humilhação e Vergonha – diálogo psicoanalítico-sistêmico” foi o título desse evento, que contou com os palestrantes Carlos Sluzki, Guillermo Bigliani e Rodolfo Moguillansky. O tema foi relacionado ao intrasubjetivo, ao intersubjetivo e ao transubjetivo, o que proporcionou um sentido amplo da temática, junto com a formação diferenciada dos palestrantes. Foi dito que a humilhação e a vergonha estão relacionadas com o indivíduo, com as relações, com o meio e com a cultura. A intervenção terapêutica efetiva encontra-se na intersecção do intrapsíquico com o grupal.


Notícia da APTF - O Simpósio Ampliar, com Lia Sanicola, aconteceu em São Paulo, nos dias 12, 13 e 14 de junho. A APTF franqueou duas inscrições para a ACOTEF. Infelizmente, não conseguimos nos organizar desta vez para enviarmos representantes, mas continuaremos em articulação com eles. Obrigado pelo apoio, APTF!

EVENTOS

VIII CONGRESSO BRASILEIRO

Estamos em campanha para estimular os associados a participarem do Congresso, mostrarem o que fazem e conhecerem melhor o movimento brasileiro de Terapia Familiar. Estamos também programando um encontro da ACOTEF durante o evento, pois em Gramado teremos a oportunidade de reunir colegas do DF, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Não percam! Visitem www.abratef.org.br .


CADERNO DE ASSOCIADOS

O caderno será distribuído para instituições e profissionais da área de saúde, educação, justiça e outras que encaminham famílias ou buscam parcerias com profissionais da área de Terapia Familiar. Você não vai ficar de fora, ou vai?

Envie por e-mail (acotef@yahoo.com.br) ou fax [(61)3380-3774] as seguintes informações:

-Nome completo

-Endereço completo do consultório ou serviço (divulgaremos apenas o bairro no caderno)

-Telefone para contato (com DDD)

-E-mail

Obs.: o associado deve estar em dia com as anuidades para figurar no caderno de associados.


TRÊS PERGUNTAS PARA...

LIANA FORTUNATO COSTA

Psicóloga, Terapeuta Conjugal e Familiar, Psicodramatista, Mestre em Psicologia e Doutora em Psicologia Clínica, Liana é sócia fundadora e foi presidente da ACOTEF (2000-2002). Atualmente é Professora Adjunta da UnB.

As pessoas tendem a reduzir o campo da terapia familiar ao consultório, não atentando para a multiplicidade de contextos e modalidades de intervenção de que o profissional com essa formação dispõe. Como você enxerga essa multiplicidade?

Tradicionalmente, os centros de formação ofereciam cursos voltados para a realidade da clínica característica de consultório. Isso hoje já está bastante diferente. Porém, o mais importante é a necessidade de os profissionais receberem qualificação para atenderem famílias diante de novos problemas que estão surgindo, diante da percepção de novos contextos que se configuram e com outra condição teórica e metodológica para construírem contextos de ajuda a famílias fora do âmbito do contrato tradicional da clínica fechada. A multiplicidade de contextos sempre existiu, o que ocorre hoje é que os profissionais estão mais dispostos a transformarem suas competências, a assumirem mais riscos e assim poderem enfrentar esses contextos com outros instrumentais. Trata-se da necessidade de firmar contratos de atendimento com famílias que sejam diferentes dos contratos firmados na clínica tradicional. A formação teórica e técnica, dada pela especialização em Terapia Conjugal e Familiar, é fundamental, mas necessita de adaptação de modelos e novos aportes de outros conhecimentos, como da Psicologia Comunitária, da Antropologia, da Sociologia, se queremos estender nosso espectro de ação para famílias que estão em situação de grande vulnerabilidade social. Essa formação é primordial para o desenvolvimento do olhar clínico, para a leitura sistêmica das relações ou para a compreensão do conflito familiar. O olhar clínico, como uma visão mais acurada e interpretativa do problema, precisa ser considerado no contexto extra-consultório, porém as intervenções nem sempre podem se configurar dentro dos padrões da clínica tradicional. Stefano Cirillo, terapeuta familiar italiano, discute no livro El cambio en los contextos no terapéuticos (editado pela Paidós) as possibilidades existentes nos contextos não-terapêuticos para o profissional intervir de modo a construir e obter mudanças, o que no final é o que interessa.

Qual a importância da ACOTEF para a defesa dessa multiplicidade?

Penso que a ACOTEF está estrategicamente colocada muito próxima ao governo federal, e por isso pode ser extremamente útil na discussão de políticas públicas tendo a família como centro. A ACOTEF pode e deve ter uma vocação política, colocando o conhecimento de seus associados a serviço da captação de novas idéias para a implementação dessas políticas e para a discussão de tantas questões que são sociais e que têm a família como protagonista, como a violência, por exemplo. Outro aspecto é a excelência da qualificação de vários de seus membros, bem como a experiência que eles têm na proposição de novas idéias teóricas e metodológicas e na construção de novos campos do saber. Membros da ACOTEF têm contribuído para a sistematização de conhecimento nas áreas da drogadição, da violência sexual e do atendimento comunitário a famílias e para a construção de conhecimento de ponta para a Psicologia Jurídica. Acho que a ACOTEF já oferece grandes contribuições para o avanço da Terapia Familiar.

Estamos chegando ao momento de transição para a próxima gestão. O que diria para incentivar os associados que se sentem inclinados a contribuir mais de perto, ingressando na próxima Diretoria Executiva ou Conselho Diretor da ACOTEF?

As considerações acima já podem servir como estímulo para o prosseguimento do trabalho de divulgação e qualificação do conhecimento da terapia familiar. Mas há ainda muito a ser feito. Precisamos estar mais visíveis para a assessoria dos trabalhos de vários ministérios, para a participação na discussão de programas voltados para a família e que são propostos pelo governo. Essa é uma dimensão de uma abordagem mais política que a ACOTEF pode assumir; outra dimensão é a de colaborar com a formação continuada de terapeutas familiares, oferecendo cursos, seminários, enfim, uma discussão de conteúdos teóricos necessários para subsidiar a prática dos que já estão trabalhando com famílias, mesmo que não sejam terapeutas familiares. Recentemente, a comunidade participou e valorizou a iniciativa do convite à professora Júlia Bucher para o curso oferecido. Estamos em um bom momento de mobilização com a atuação tão dinâmica do Flávio e sua equipe. O clima de inclusão grupal e afetiva que esta gestão promoveu certamente vai facilitar o trabalho da próxima gestão.




Associação Regional de Terapia Familiar do Centro-Oeste

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Maturidade Adormecida

A pergunta mais frequente que surge nas palestras e cursos acerca da mediação familiar interdisciplinar é a respeito da prática, de como se faz a mediação, quando é aplicável, enfim, como é este novo como fazer. E a resposta que se pode dar é que a mediação é muito simples, não havendo nenhuma complexidade metodológica em sua prática. Porém, para que se possa enxergar a simplicidade é preciso ter um robusto conhecimento teórico e, sobretudo, acreditar na capacidade, na coragem, na prontidão do mediador para esta arte de participar de uma comunicação humana de três tempos.

(Excerto de texto de Águida Arruda Barbosa para o Boletim IBDFAM março/abril 2008)

A Experiência da Solidão no Sujeito Contemporâneo

Para visualizar a imagem, clique sobre ela



Filmes de Família em Debate

O site da Associação de Pais e Mães Separados - Apase (www.apase.org.br) disponibiliza mais de 600 títulos de diversos países sobre relações familiares. A relação de filmes doi elaborada pelo Programa de Formação em Direitos da Infância e da Juventude da UERJ, coordenado por Leila Torraca de Brito.





Texto retirado do Boletim IBDFAM março/abril 2008

Discussão - Parto Anônimo

No início deste ano, o IBDFAM colocou o tema do Parto Anônimo em discussão com a intenção de apresentar um Projeto de Lei no Congresso Nacional, para regulamentar a entrega de crianças em adoção e garantir à mãe biológica o direito ao anonimato. Muitos questionamentos foram apresentados ao IBDFAM, entre eles, a legalização do abandono materno; a desconsideração do direito de personalidade (a criança poder contactar sua família de origem biológica a fim de entender mais sobre si mesma); e a possibilidade de desconsideração de métodos anticonceptivos.

São muitas as discussões sobre essa questão do Parto Anônimo. Dois projetos de lei (PL 2747/2008 proposto por Eduardo Valverde, PT-RO e PL 2834/2008, apresentado por Carlos Bezerra) já foram apresentados (enquanto o IBDFAM conduzia as discussões) ao Congresso Nacional.

O NUGEF convida aos psicólogos e outros profissionais da família que participem da discussão sobre esse tema polêmico nos comentários abaixo. Participem também das discussões propostas pelo IBDFAM enviando uma mensagem para o setor de pesquisa Leis e Decisões através do email leisedecisoes@ibdfam.org.br e consultando o portal IBDFAM www.ibdfam.org.br.


Fonte Boletim IBDFAM março/abril 2008

A Mulher no Judiciário

Em entrevista ao boletim IBDFAM, Maria Berenice Dias, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e vice-presidente do IBDFAM, fala em como a emancipação da mulher ainda tem um longo caminho pela frente, principalmente em relação à justica. A desembargadora observa que , de forma geral, os tribunais ainda são coniventes com a violência contra a mulher, ainda são condescendentes com o adultério masculino e punitivos com as mulheres que tomam posse da sua sexualidade. Abaixo, segue texto da entrevista:

A Mulher Honesta

"Em todas as ações envolvendo questões de gênero, a mulher é julgada segundo o modelo de comportamento que a sociedade lhe impõe. Só há reconhecimento de direitos se sua postura corresponde à figura da mulher honesta e séria. Estes qualificativos com relação ao homem são identificados na forma de agir no mundo público. Já para a mulher tem outro significado, a oculatação de sua sexualidade."

Violência Doméstica

"O poder deferido ao homem de ser o responsável pela família, legitima a violência. Há uma enorme resistência em punir a violência doméstica sempre justificada pelo afastamento de seu [da mulher] 'papel feminino'. Até hoje a defesa do agressor é de que a culpa é da vítima que deixou de agir do modo convencionado pela sociedade."

"A lei [Maria da Penha] foi editada em decorrência de uma punição sofrida pelo Brasil, ou seja, não foi fruto do reconhecimento da necessidade de a violência doméstica ser contida. Daí a má-vontade em torná-la efetiva.(...) Há coisas mais importantes a tratar!"

Indagada sobre as alegações da inconstitucionalidade da Lei Maria da Penha sob o argumento de que fere o princípio de igualdade de direitos ela responde: "O mais surpreendente é que ninguém nunca alegou a inconstitucionalidade do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Estatuto do Idoso, do Código de Defesa do Consumidor (...). Ninguém nega que a mulher é vítima da violência doméstica. E não aceitar que lhe seja deferido um atendimento especial é uma forma perversa de discriminação. É legitimar a violência."

Adultério

"A mulher rotulada de adúltera é punida exemplarmente. É condenada à morte, pois nem a alimentos faz jus, apesar de a lei assegurar tal direito aos 'culpados'. Da mesma forma, se abandonou o lar e lá deixou os filhos, nunca mais terá chance de recuperar a guarda."

"[O homem ] quem tem uma mulher tem que assumir os encargos decorrentes, mas se tem duas, simplesmente é privilegiado. Nada deve a nenhuma. A mulher é reconhecida como responsável por esta situação. Como foi conivente, não faz jus à nada. E a sentença é: Quem mandou se meter com homem casado!"

"Toda mulher que age fora do modelo é punida. Talvez o grande exemplo sejam as uniões paralelas. Quando ela declara que sabia que o homem era casado, não faz jus a nada. Somente se alega nada saber é que tem chance de receber alguma coisa. A sentença que as mulheres recebem com mais frequência é: "Bem feito!" São muito mais punidas do que julgadas.


Fonte: Boletim IBDFAM março/abril 2008